O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, dando continuidade à sua visita ao sul do país, com o objectivo de avaliar os empreendimentos estratégicos para aumentar a disponibilidade de água e energia nesta região, bem como mitigar os efeitos nefastos da seca cíclica que tem vindo a assolar esta região do país, avaliou no dia 1 de Julho e hoje, 2 de Julho de 2025, no Cunene, várias infraestruturas em construção no âmbito do Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA). Na companhia do Secretário de Estado para as Águas, António Belsa da Costa e da comitiva de responsáveis do Ministério da Energia e Águas que o acompanha desde Luanda, João Baptista Borges avaliou, "in loco", durante os dois dias, o andamento das obras de construção das barragens da Cova do Leão, Calucuve e Ndúe. Em relação à barragem da Cova do Leão, encontra-se, em termos de execução física, na ordem dos 28%. O projecto prevê, para além da barragem, que terá uma capacidade de armazenamento de água na ordem dos 53 milhões de metros cúbicos de água, um sistema de captação e abastecimento de água potável, que vai abastecer as localidades da Cahama, Otchindjau e outras. O município do Curoca vai igualmente beneficiar de um sistema de abastecimento de água, através de furos artesianos. De um modo geral, a Barragem da Cova do Leão, prevê beneficiar cerca de 50 mil habitantes, com a previsão de terminar as obras no final de 2026. No entanto, brevemente, cerca de 5.000 habitantes do Chitado serão beneficiados com a conclusão do sistema de abastecimento de água desta localidade, com captação, tratamento e distribuição, tendo como fonte de água o rio Cunene. Importa referir que o gado será igualmente beneficiado, através de bebedouros que estão ao longo da conduta, que tem 63 quilómetros.
Em relação à barragem do Calucuve, que prevê a construção, para além da barragem de 31,60 metros de altura e 2.184 metros de comprimento que irá armazenar cerca de 141 milhões de metros cúbicos de água, contará com um canal adutor de 240 quilómetros e 22 chimpacas. Esta importante infraestrutura localizada no município do Cuvelai, comuna do Mukolongondjo, encontra-se com uma execução física na ordem dos 78%, prevendo beneficiar perto de 200.000 cabeças de gado e mais de 80 mil habitantes da região.
Em relação à barragem do Ndúe, que se localiza igualmente na comuna do Mukolongondjo, contempla também uma barragem de 32,80 metros de altura e 1500 metros de comprimento, com possibilidade de armazenar 170 milhões de metros cúbicos de água, com um canal adutor associado de 75 quilómetros, com 15 chimpacas, para diversos fins de cariz económico e social, beneficiando a população, a agricultura e o gado ao longo do canal. Vai beneficiar cerca de 55 mil habitantes, 60.000 cabeças de gado e tem uma execução física de 86%, estando prevista a sua conclusão até ao final do ano em curso. Uma outra importante vertente em termos de impacto social, o caso do Ndúe, são os empregos directos, que rodam os 4.000 trabalhadores, na sua maioria jovens.
Estas obras de combate aos efeitos da seca têm um carácter extremamente importante, tendo em conta que a região sul de Angola, de forma cíclica, regista períodos, por vezes longos, de estiagem, o que prejudica, em grande medida, o desenvolvimento da região e, concomitantemente, a vida das pessoas que aí residem. Nestes termos, não se trata somente de disponibilizar mais água na região, mas também levar o desenvolvimento socioeconómico e dinamizar a economia nesta parcela do país, com criação de oportunidades, geração de empregos, mitigar doenças, muitas vezes graves, de origem hídrica, entre outros benefícios, para o bem estar dos seus habitantes. Por estes motivos, são prioridade absoluta do Executivo angolano.
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OBRAS DE COMBATE AOS EFEITOS DA SECA NO CUNENE EM BOM RITMO DE EXECUÇÃO